Terça-feira, Outubro 21, 2008
Quarta-feira, Outubro 08, 2008
Ferit Kuyas
Barcos restaurante

Changjiang river, reparem no contraste entre a dimensão do pescador em 1º plano e o Skyline de Chongqing
Apesar de o nome dizer muito pouco ao mais comum dos ocidentais, Chongqing é uma cidade chinesa que entra no rol das maiores do mundo.
Facilmente me perco em fotografias que retratam este género de cidades, não é de todo pela quantidade e qualidade dos motivos de interesse cultural, talvez seja mesmo pelo oposto, pela sua ausência, pela ausência de alma. Tudo tão grande, tão cheio de gente e paradoxalmente aparentemente tão vazio.
É um fascínio estranho que me suscitam as dimensões que os espaços alcançam, completamente fora da escala humana e é como quando olho para uma imagem de um onda de Teahupo e não a consigo conceber de uma forma real.
Estas fotos são de Ferit Kuyas, vale a pena a visita ao seu site.
'Coisas' com Sal
Sendo eu um pesquisador inveterado de conteúdos na internet, sempre que tenho disponibilidade passo tempos e tempos à procura de 'coisas' que considero interessantes, sejam fotografias, filmes, arte, surf, skate, design, viagens, etc, etc... Considero que teria lógica ter um espaço onde pudesse partilhar esse mundo infindável de 'coisas' com sal.
Fica entregue a vós o uso que lhe quiserem dar, mas espero que o leque de opções seja grande, de simples divertimento, curiosidade ou até como inspiração.
Quinta-feira, Maio 22, 2008
Segunda-feira, Agosto 06, 2007
http://vagueares.blogspot.com/
Desenho de Nuno Cortiço (autor dos blog's Glide Lines e Fish Brotherhood)O facto do blog se ter mantido isento de novos textos durante tanto tempo, desde Maio até à presente data, prendeu-se, essencialmente, com o facto de andar a planear um novo blog, o VAGUEARES.
A minha participação no VAGUEARES será da mesma natureza do que até aqui foi na ALMA SALGADA, espero apenas que mais abrangente no que toca ao surf e também mais activa.
A novidade do VAGUEARES é que será desenvolvido a três, serei eu o Pinto e o Luís Paulo Magalhães a escrevermos!
A meu ver isso trará apenas vantagens... tendo em conta que o espírito dos meus novos parceiros de escrita é semelhante ao meu (uma das razões de nos termos unido neste projecto) continuará a haver um discurso pautado por sentimentos genuínos e espero com alguma profundidade... Por outro lado, haverá com certeza, maior variedade e riqueza de conteúdos, ao qual, espero, corresponderá um aumento de interesse para aquele que o visitar.
A Alma Salgada ganhou, portanto, um novo plano para vaguear... Estás convidado a navegá-lo:
http://vagueares.blogspot.com/
Terça-feira, Maio 15, 2007
A melhor das razões
"Je viens du ciel et les étoiles entre elles ne parlent que de toi" - Francis Cabrel, Petite Marie "Já nasceu a Clara. Tem uns fascinantes e encantadores 2400g. Sai à mãe, pois. Pedro Ferro." - Foi assim a mensagem que enviei pelo telemóvel a uma extensa lista de amigos e familiares.
Nestas ocasiões mergulhamos num emaranhado tão grande de emoções... Parece-me ter tanto a dizer... Há tanto a dizer... Mas mesmo passadas já quase 2 semanas ainda não consigo estar sóbrio o suficiente para organizar os sentimentos vividos e com eles tecer quaisquer considerações que me pareçam satisfatórias.
À noite quando saí da maternidade e voltei para casa, vinha de carro em silêncio e notei como a Lua se mostrava redonda e brilhante. Acompanhava-me do lado direito do carro e como tinha acabado de nascer no horizonte, via-se na perfeição pelo vidro do carro. Estava cheia, sublime, no seu máximo expoente. Não sou uma pessoa religiosa, nem possuidor de qualquer fé, mas reconheço alguns momentos como místicos na minha vida... Como este! Parei o carro, onde pude, ao lado da estrada. À minha volta apenas campo iluminado pelo clarão luminoso da Lua.
Fiquei ali em silêncio durante uns minutos a deixar-me ser invadido por toda aquela beleza nocturna... Pensei no que haveria a dizer após aquele dia, mas tal como agora, ainda me é difícil alinhavar algumas palavras que componham algum sentido e que sejam claras perante a força das emoções que se apoderaram de uma pessoa neste tipo de acontecimentos.
Não sabendo o que proferir, resolvi concentrar toda a energia positiva da experiência que tive e lançá-la num grito... Um sonoro, largo e grave brado oferecido aos céus de punhos fechados e braços abertos! Uma oração explosiva, como que a festejar a saída do maior e mais cavernoso tubo de onde saí ileso!
O tributo do puto T à mana!
Quarta-feira, Abril 18, 2007
Sábado, Abril 14, 2007
CocoRosie - Hairnet Paradise
De tempos a tempos aparece alguma banda ou musico que nos revela um som que se apodera de nós. Musica que nos fascina ou que se revela totalmente nova, que nos surprende pela qualidade ou estilo completamente distinto.
A este propósito lembro-me da primeira vez que ouvi entres muitos, Pearl Jam, Nirvana, Bjork, Sonic Youth, Pixies, Tom Jobim, Doors, Cat Power, Aimee Mann, Smashing Pumpkins, Faith No More... A lista seria demasiado extensa e dentro dos inúmeros estilos de música que me dou a ouvir...
Ontem descobri estas senhoras, através de um excelente programa de rádio, o "COYOTE" de Pedro Castro e senti precisamente essa magia da descoberta.
Joanna Newsom - Sprout And The Bean
Quarta-feira, Abril 04, 2007
... Em Direcção ao Mar!
Esta Terça-Feira passada foi minha... Escolhi o Sudoeste Alentejano como cenário e o dia desenrolou-se apenas na procura de momentos simples... prazerosos... no pleno disfrute do local.
Quantas vezes vejo eu o nascer do sol?.. Bom, sem dúvida que foi um bom início de dia!
Perto das 8h estava na casa do Custódio... Arrumámos as pranchas em cima do carro e partimos em direcção ao mar...
... "Partir em direcção ao mar"!.. Soam-me mesmo bem estas palavras... A verdade é que elas encerram um sentido figurativo vasto que extravasa para além do imediato...
Irmos ter com o mar é, igualmente, irmos ter com a nossa identidade, é dirigirmo-nos para a realidade que mais nos cataliza e para aquela paixão que consegue chegar a ocultar as demais...
Saimos com um tempo invernal e chuvoso e encontrámos um dia cheio de Sol e de luz... Bem, escuso-me de me alargar na interpretação de toda esta carga simbólica...
Todos os dias deviam ter, pelo menos, tanto para oferecer como este!
Quando voltamos?
Domingo, Abril 01, 2007
Saca em 1º no WQS
Dá gosto olhar para o topo da tabela, não dá?, http://www.aspworldtour.com/2007/Esta noite eu, e diga-se de passagem, uns quantos milhares de portugueses, fomos arrastados pela noite dentro pelo entusiasmo e pelos resultados que o Tiago Pires foi logrando ao longo do "Drug Aware Pro" na Austrália.
Esta prova foi a primeira do ano com a categoria de "6 star PRIME", o que traduzido em miúdos, quer dizer mais pontos e maior "prize money" para os participantes. Torna-se fundamental para quem aspira aos lugares cimeiros do WQS e consequente entrada no WCT, ter bons resultados nestas provas. Tendo por base estas pretensões, até podemos concluir que sem uma boa performance nestes campeonatos, de pouco servirão resultados brilhantes em provas de menor pontuação... como exemplo, podemos verificar que uma vitória num campeonato de 4 estrelas, igualmente difícil de alcançar, vale 1500 pontos, enquanto neste último foram oferecidos o dobro, 3000 pontos.
Margaret River - The PointOlhando de uma forma global para a participação do Saca neste campeonato, acho que posso dizer que ele foi muito táctico e que não sendo propriamente brilhante foi extremamente prático... Pareceu-me que procurou sempre alcançar duas ondas de valor mediano e até o conseguir nunca arriscou muito nem tentou fazer "bonitos", a ideia passou, essencialmente, por garantir um surf seguro em pelo menos duas ondas de set com potencial... apesar disso, ele mostrou um (o seu) surf poderoso, de batidas fortes e rail cravado, denotando confiança...
A noite começou com um heat (do round de 24) de pôr os nervos em franja, com o mar grande e difícil... Quase no final, com o Tiago em primeiro, todos os atletas fizeram ondas... a buzina tocou e ficaram as notas em suspenso... só quando o heat seguinte ia a meio é que o resultado foi divulgado: Com uma décima a separá-los ficou o Cory Lopez em 1º e o Tiago Pires em 2º... em 3º e apenas a meio ponto atrás quedou-se o brasileiro Bruno Santos.
Deveria ser uma e meia da manhã, mas pareceu-me mais do que razoável esperar 1h30m pelo próxima entrada em acção do Saca... Os seus adversários não prometiam facilidades, Jay Thompson e Dane Reynolds. Este último foi, a meu ver, a figura do campeonato com o surf mais radical... Há uma característica que sublinho no surf do Dane quando em competição, é que ele nunca me parece moderado, surfa sempre no limite e tenta concretizar as bizarrias comuns do seu free surf... como consequência temos alguma inconstância de resultados, mas igualmente momentos de grande brilhantismo... uma delícia para quem assiste, diga-se.
Margaret River, foto de Jamie ScottNeste heat foi o que aconteceu, o Dane Reynolds passeou-se sem adversários conquistando 18,73 pontos nas duas primeiras ondas... O Jay andou perdido pelo heat e o Saca serenamente seguiu a sua táctica conseguindo duas ondas acima de 6...
Eram quase 4h da matina... faltava cerca de 1h15m para o próximo heat... a vontade era muita mas tive de me render... Teria de cumprir o meu papel de pai às 10h da manhã e levar o meu puto T às aulas de natação para crianças... Dormi umas 5 horitas e lá fui eu com ele, mas claro, ainda vim verificar primeiro os resultados... Deu na pá ao Cory Lopez, a imagem de marca da O'Neill e patrocionadora do evento, nos quartos-de-final... E na semi-final enfrentou novamente o Dane Reynolds, desta vez num mano-a-mano. Pelo que vi nos resultados o Dane abriu as hostilidades com um 8,93... O Saca respondeu novamente na mesma linha de comportamento que o levou até aí... um 7,17 e depois um 6,00... O Dane nunca conseguiu o 4,24 necessário (terei de confirmar, mas especulo se não terá sido, exactamente, por continuar a cometer excessos e não ter conseguido completar manobras)...
Margaret River, foto de Jamie ScottO Saca não ganhou na final, mas esta regularidade e este resultado é uma grande vitória e sem dúvida um marco na sua carreira. De 4º lugar, saltou para 1º no ranking com mais de 1000 pontos de vantagem sobre o Neco Padaratz que saltou para 2º.
Tenho sido muito cauteloso e tenho-me isentado de prognósticos... mas este ano o Saca, já com 6775 pontos, precisa de pouco mais do que juntar mais 2 ou 3 bons resultados ao seu score (melhor seriam 4)... E numa altura em que faltam ainda 5 provas de 6 star PRIME, uma Super Series e 6 provas de 6 star, tem ainda muito por onde ir buscar os pontos necessários...
Estas foram as palavras do Tiago pós final:
“I was really tired in the Final and probably made a tactical error in trying to find a left-peeling wave, while Perrow did the right thing and found some really good rights. It’s a great result for me however. The points are really important and I have never started seasons very well before, and on two occasions I have just missed out on qualifying. Right now, I’m number one on the ratings and that’s really good, but it’s very early days and there’s a lot ahead for me.”
Parece manter a postura certa... Dá-lhe SACA!
Sexta-feira, Março 30, 2007
Backs and Cutbacks!
Descanso a mão na base das tuas costas e avalio na ponta dos dedos a curva que aí defines na proporção áurea… imagino-a onda e percorro-a ao de leve em carícias que imagino possíveis realizar com a mesma subtileza sobre a água… drop largo e seguro buscando projecção para uma subida leve e uma curva para trás com toda a expressividade… tu atestas a qualidade do meu surf-de-mão estremecendo e sorrindo...
– Dás-me esta parte? – Pergunto-te eu de olhar embriagado.
– Como assim?
– Se me dás esta curva? Esta que fazes aqui no fim das costas… – Explico-te eu ajudado pela palma da mão.
Agradeces o pedido sorrindo e semicerrando os olhos beijas-me os lábios em tom afirmativo…
– Sim… a curva é tua… é só tua!
Terça-feira, Março 27, 2007
Relendo Gabriel
Gabriel o Pensador, foto a descobrir em http://www.gabrielopensador.com.br/De vez enquando sou re-visitado por histórias que já li... raramente se revelam de uma só vez... e são sublimes na forma como se mostram e ocultam, deixando-me apenas ler algumas linhas que me oferecem como dicas para descobrir donde as conheci...
Hoje, porém, que assim também acontece, fazendo-se a excepção que confirma a regra, a visita foi de uma que se me ofereceu fácil e que escancarou a sua proveniência sem hesitações... Foi o Gabriel (o pensador) que ma ofereceu no seu livro "diário noturno", um livro que reune um pouco da sua essência enquanto pessoa, filósofo, poeta, surfista e um sem-fim de facetas que o inconformado cantor veio expor de si próprio.
Hoje à noite ainda fui a casa do meu pai buscar o livro que lhe tinha oferecido à cerca de 5 anos... lembro-me de ele o receber na altura com surpresa, enquanto avaliava a capa colorida... também temos uma cota parte de responsabilidade em romper o cinza habitual que se queira instalar entre a nossa família, não é?
Folheei o livro e redescobri a história facilmente... não podia deixar de compartilhá-la aqui:



Segunda-feira, Março 26, 2007
Indeléveis Palavras

São tantas as vezes que tentamos libertar uma ideia e ela se queda embrulhada na nossa cabeça... sentimos, mas não conseguimos dar a devida expressão, pelo menos em toda a sua amplitude.
Por outro lado, penso, são também muitas as vezes que nos deparamos com pequenas frases que reunem tudo o que pensámos e não conseguimos expressar... Por estranha lucidez, por inteligência ou simples iluminação, outros reuniram meia dúzia de palavras que sintetizam todos os nossos raciocínios tortuosos e sensibilidade... Palavras que queriamos ter sido nós a dizer, não pela procura de qualquer mérito, simplesmente para atestar que sabemos exteriorizar com competência o que nos vai na alma...
E é por isso que se me gravam na memória indeléveis palavras... porque me facilita ter devidamente catalogadas pequenas frases que encerram grandes conteúdos, ou expressam uma grande carga emocional...
Sem razão aparente, hoje sinto-me inquieto... E facilmente recorro às palavras de Tolstoi, que tinha em mim guardadas e que pululam na minha cabeça:
"Sinto em mim um excesso de energia que não cabe numa vida tranquila"
Domingo, Março 18, 2007
Felt Country!
Desde que tenho o meu Skate acabado, que avalio qualquer descida que se me apresente à frente... É comum ir de carro e ir assinalando mentalmente os locais por onde supostamente valerá a pena tentar uma descida... Posso dizer que já tenho na minha cabeça um mapa cheio de bandeirinhas espetadas!
É claro que com a prática vou entendendo que alguns dos spots que inicialmente julguei de luxo, são demasiado íngremes ou exigentes para o meu nível actual... Acho que posso esquecer, pelo menos por agora, a estrada que desce desde a estância de esqui de La Covatilla até Bejar (se bem que há umas semanas atrás, quando lá estive, não me calava com uns: "Esta descida é que era boa para a fazer com o meu skate"... ninguém acreditava, claro... nem eu!).
Um dos lugares que desde logo elegi como um dos melhores para deslizar, é numa estrada de bom piso que existe relativamente perto da minha casa em Estremoz... fica a cerca de 3 km para fora da cidade, já em pleno campo... desde que me lembro, que dava as minhas voltas de bicicleta por estas bandas... mas só agora, com o skate, é que reparei nas generosas descidas que por ali se apresentam... Alguns troços são bastante inclinados, mas entre os mesmos, existem, literalmente, kilómetros em que se pode estar sempre a descer nas calmas...
Hoje à tarde, com a família a dormir a sesta, escapuli mais uma vez para este meu reduto... levei emprestada a máquina fotográfica digital (que também dá para fazer uns filmezinhos) e sozinho pus-me a captar imagens... a fazer as vezes de tripé usei pedras, estacas de madeira que encontrei, ou o próprio chão...
Foi uma tarde deliciosa, em que me embebi do verde, do calor e dos cheiros que só esta altura do ano nos oferece... senti-me campo e a deslizar por entre indícios fortes de Primavera...
Durante o resto da tarde e noite pus-me a brincar com o Windows Movie Maker (com o qual aprendi a mexer à umas semanitas), para editar as partes e reuni-las com som...
O resultado foi este...
Terça-feira, Março 13, 2007
Parabéns Saca!
Tiago Pires em pleno voo, foto de João Valente - SurfPortugal #115Hoje é o aniversário do Tiago “Saca” Pires…
Eu não sou propriamente uma daquelas pessoas que extravasam admiração por quem não conheço pessoalmente… Mas acho que é quase inquestionável que todos sentimos especial apreço por uns quantos ilustres nossos desconhecidos…
Existem escritores que traduzem em palavras o que nunca soubemos dizer, cineastas que nos deslumbram com o seu génio e imaginário, músicos que nos transportam para dimensões que nos parecem estar para além do real e do palpável…e para mim, ao mesmo nível, surfistas que escrevem nas ondas as linhas que gostaríamos de desenhar.
Reconheço no Tiago o génio de artista, que ele apresenta no mar… na pressão entregue em cada curva, no seu surf polido e de linhas certeiras, na garra e aparente ausência de medo em mar cavernoso, nos seus voos controlados adornados com uma pequena torção ou expressividade corporal, na facilidade que tem em prever tubos onde se encaixar e nos pequenos gestos, aparentemente simples, que marcam a diferença em relação ao surf do comum dos mortais.
Com a visibilidade e o destaque dos seus resultados foi sendo colocado num patamar de estrela no nosso universo pequenino do surf português e entretanto, conforme a nossa imaginação e a nossa necessidade de endeusar ou divinizar estas pessoas, traçamos-lhe o resto do perfil…
Porém não será preciso um olhar clínico para perceber o que é mesmo real no seu carácter… E o que mais lhe admiro é a grandeza do seu espírito (em oposição à tacanhez típica portuguesa de que somos todos uns coitadinhos). A coragem que teve em pensar com toda a largueza e sem qualquer medo do ridículo e afirmar que queria ser campeão mundial traduz essa minha ideia.
Não me vou meter pelo seu currículo desportivo, nem pelas suas aventuras e desventuras no WQS… Sabemos sobremaneira que não atingiu o escalão principal do surf mundial por diversas vezes por uma unha negra… Mas, penso, que tenho senpre mantido uma fé semelhante à dele. Acredito que no presente é que está a luta e que este ano não falhará…
Para já vai muito bem encaminhado num 16º posto do WQS, quando apenas contabiliza apenas dois dos seus melhores resultados… E convém salientar que 9 dos surfistas que se encontram à sua frente no ranking estão a contabilizar 3…
Saca, power, velocidade e estilo, foto Carlos Pinto (?)
Segunda-feira, Março 12, 2007
Razão, Lógica e Prática
Monsanto, Foto Arquivo Pessoal“I want you to get together…”,
… Serei responsável, íntegro, mas nunca aceitarei prisões… mantenho o mais firme desejo de seguir como uma folha ao sabor do vento e se possível a esvoaçar sobre o mar!
“I want you to get together…”
Sexta-feira, Março 09, 2007
De Olhos Bem Fechados

Hoje sinto-me mais sensível ao toque
e na pele percorrem-me dedos que nunca antes me tinham tocado…
Mas poderá ser o vento...
Apoiamo-nos contra a escarpa firme
E beijamo-nos ao de leve…
As ondas quebram ao largo frenéticas
E os nossos corações consomem-se na mesma arritmia nervosa…
Damos sequência a actos inconsequentes
E de olhos bem fechados confundo-te com o mar…
Sábado, Fevereiro 10, 2007
The Hottest Thing In Your Neighbourhood On Wheels!
Monica Bellucci é a minha escolha para a morena mais interessante... e é, não é?Ontem à noite, a chuva abrandou e fui pela primeira vez experimentar a fazer umas descidas com o skate… O entusiasmo foi tanto que nesta mesma noite até sonhei com o assunto. Claro que já fui gozado pela minha mulher e expondo aqui o acontecimento dou essa oportunidade a quem quiser fazer o mesmo.
É que os meus sonhos não costumam, sequer, ser assim lineares e lidar de uma forma tão directa com a realidade… e nem costumo lembrar-me do que sonhei, mas desta vez lembro-me e bem…
Saí de manhã de casa, era na Costa da Caparica e não havia trânsito nenhum. Mas as facilidades oferecidas pelo sonho, não se quedaram pelo facto de não haver carros na estrada, quando cheguei ali perto da entrada para a Praia Nova, olhei para Sul e reparei que havia uma descida enorme e muito comprida nessa direcção, a correr ao lado das praias e a oferecer uma paisagem magnífica a todo o seu comprimento. Parei para avaliar o caminho a seguir, quando passou por mim o Stacy Peralta
(para quem não sabe uma lenda viva do mundo do skate que presentemente é também cineasta)… Olhou para mim como dizendo, “Olha outro”, e arrancou a toda a velocidade descida abaixo… Eu fui atrás…
do tipo pin-up, assim como que saída de uma revista da Playboy… Pronto, mas tipo em vestida… quer dizer, pouco, mas vestida… Mas continuando, lembro-me de lhe segurar na cintura para a ajudar a subir para o skate e de soprar uma brisazinha que lhe levantava ligeiramente a micro-saia com as consequências obviamente agradáveis… Reparei ainda que havia um grupo de rapazes que me olhavam invejosos…
Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007
Skate Longboard - Faça Você Mesmo - Parte I
O skater dançarino, Adam Colton, dá umas dicas do que se pode fazer com um destes skates.
Já há algum tempo que andava a ponderar a compra de um Skate Longboard… Mas o peso das prioridades e o preço que normalmente ostentam é que nunca o colocou num lugar cimeiro da minha lista de brinquedos a adquirir.
Primeiro que tudo devo salientar que era um completo leigo na matéria, pelo que a primeira fase deste nosso projecto foi mesmo a pesquisa. Neste aspecto a internet foi, como em quase todo este tipo de investigação, soberana… depois de muito googlar, encontrei alguns sites que realmente me ensinaram e esclareceram muita coisa, saliento o http://www.toothless.tk/ do Sr. Ive "Toothless" Vandewalle, que se lembrou de criar um site onde reúne as suas experiências e técnicas utilizadas na construção deste tipo de skates. Sem dúvida de visita obrigatória para quem quiser brincar a isto de fazer skates longboards! Este terá mais do que o essencial, mas deixo também este link que tem o seu interesse: http://www.zonagravedad.com/ (ver “construcción” na secção de longboard)
Onde o projecto tomou forma foi, como já tinha referido, no fórum Atitude-Surf, onde a ideia foi apresentada, debatida e teve espaço para crescer… Foram muitos os que contribuíram para que realmente tudo se tivesse realizado, mas foi o Zé, um dos ilustres foristas que nos levou à escolha do shape para este projecto. Tendo um skate deste género e igualmente, muito boa onda, convidou-nos logo para um test-drive no sk8 park da Expo.
O modelo em questão é da Gezu (marca pioneira dos skates longboards em Portugal- http://www.gezuskateboards.com/), mais concretamente o Long Model, de estilo Old School e com 1,40m de comprimento é dos maiores que eles produzem. Como é completamente flat, não ia requerer nenhuma técnica especial de moldagem da madeira e poderíamos optar por um dos métodos mais básico de construção, ideal para a 1ª vez.
Para te motivares a construi-lo!
1ª questão - Qual a madeira ideal e onde adquiri-la?
A madeira que vi apontada nas minhas pesquisas como a ideal foi a “Birch plywood”, no dicionário a tradução para birch é abeto e com mais alguma investigação aprendi que abeto é o mesmo que bétula, em suma, o ideal é um contraplacado de madeira de bétula.
Para a encontrar em Portugal foi outra luta, mas nada que não se resolvesse com umas quantas googlagens, outros tantos telefonemas e lá se descobriu um importador que vendia paletes de 40 placas de 2,50m x 1,50m da dita madeira… pois, mas foram simpáticos e indicaram-me um revendedor que vende a coisa à unidade.
Deixo aqui o link que tem a morada, mas o melhor é mesmo telefonar para lá e pedir algumas indicações para o caminho: http://www.multiplacas.pt/
De todas as formas adianto que fica na Terrugem, uma terreola que aparece no caminho de Lisboa para a Ericeira, após fazermos a IC19…
Uma placa destas é cara, cerca de 80€, mas pelas suas dimensões dá para construir 8 skates. No atitude foi fácil reunir pessoal interessado, eu fiquei com 2 partes e as restantes, em pouco tempo, também tiveram o seu dono.
Fui com o Luís até à dita loja, devo dizer que as nossas tentativas de negociar a madeira não foram lá muito bem sucedidas, mesmo dizendo que éramos da faculdade e que estávamos a estudar a resistência de materiais de construção (pois!)… não sei, acho que no final ainda nos deram uma percentagem mínima de desconto só para nos calar, mas que não fez grande diferença.
E mais uma dica, desta vez para aprenderes a olhar para trás.
Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
O Referendo
Pintura de Dan Johnson - Huntington Beach KidsPara ser sincero tem me faltado a paciência p esgrimir posições no que toca a este assunto... Só me tem apetecido mandar para a a put@ q os pariu aqueles que defendem o NÃO apoiando-se numa lógica matemática de 2+2=4 como se a vida se regesse por tais regras.
Acho que tirando umas quantas parteiras de vão de escada, ninguém será a favor do aborto... Existe uma vida em potencial em cada ovo concebido e todos gostariamos de viver no mundo ideal (ou idealizado) em que essa vida fosse SEMPRE protegida... Penso, aliás, que deveremos conduzir a sociedade para esse fim: para um planeamento familiar sério, para a protecção das mães pobres, para a resolução dos problemas que geram guetos sociais tantas vezes berço da gravidez indesejada ou de mães adolescentes.
Mas devemos também lutar contra a intolerância que regra o povão, que não se inibe de apontar o dedo a quem tem filhos sem ter condições para os ter, mas também a quem os aborta tomados pelo desespero...Pintura de Kevin Short - Watching Time Go By
A vida é cabra e tem muito pouco de lógico ou de racional... é uma ilusão pensar que somos nós que a guiamos ou que fazemos dela o que queremos... De repente levamos com cada safanão!... Toma, que agora ficas sem este ente querido... Toma, que lá se vai a saúde... Toma, que agora ficas pobre e a passar fome... E também toma, que tás grávida mesmo sem o desejares.
Deviamos entender este ponto... que a vida distorce a lógica... que a fronteira entre o bem e o mal muitas vezes se esbate ao ponto de desaparecer, que nem sempre há lugar para fazermos a opção correcta ou para ter uma boa postura ou o comportamento recto.
Devemos proteger a vida e a sua qualidade, pensar na vida gerada, mas também na vida da Mulher e no seu direito de opção...
Se nalguns casos constato que deveriam ser os fetos a abortar as mães (como aquelas que pretendem dar conta da gravidez porque estavam mesmo agora a pensar comprar o Mercedes ou aquele conjunto super giro de malas Louis Vuitton), noutros casos simplesmente abstenho-me de opinar pq simplesmente a minha sentença não terá qualquer valor... Se a vida leva algumas mulheres a optar pela interrupção da gravidez, que ao menos consigamos ter a decência de viver numa sociedade que não as incrimine...
Outra questão prende-se com o facto de ser o estado a patrocionar esses actos... Principalmente quando o mesmo ainda não dá uma resposta decente a um acompanhamento médico de uma gravidez ou de uma simples cárie... Existem prioridades... E o aborto pago pelo estado, a meu ver, ainda terá de esperar!
Quarta-feira, Janeiro 31, 2007
O Dia Mais Frio do Ano – Parte I
Costa da Caparica, Cova do Vapor - foto arquivo pessoalEra Sexta, fui passar a noite a casa de uma amigo meu da Costa, a ideia era levantar cedo no Sábado e ir surfar a manhã.
Bem, de uma forma simples e directa diria, antes, que fico menos de “cerveja na esplanada” e mais de “chá e torradas no aconchego do lar”… O que eu não dava para que Portugal fosse um daqueles países de água quente e surfezinho de calções!
O telefone tocou… era o Zé…
- Como é Pedro, amanhã vamos surfar?
- É pá… eu estava a pensar em ir de manhã, mas...
- Vamos… Passei a semana toda a seco apetece-me mesmo ir ao mar.
- Sabes… Este frio é q me desencoraja um bocado… - Arrisquei.
Quinta-feira, Janeiro 18, 2007
Sobre a Beleza
A origem da beleza e do deslumbre estão muitas vezes relacionadas com o acaso e o imprevisto… Neste excerto do “American Beauty” ela apresenta-se na forma de um saco de plástico a esvoaçar, lembram-se?
"It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it. And this bag was, like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes. And that's the day I knew there was this entire life behind things, and... this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever. Video's a poor excuse, I know. But it helps me remember... and I need to remember... Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in."
Durante esta cena, no cinema, lembro-me de ouvir umas quantas pessoas a rir, talvez afastando de si o embaraço da possibilidade de se emocionarem com tão descabida situação… Mas sim, atrás de qualquer coisa pode haver uma vida imensa que podemos escolher abraçar ou não!
Alguns encontram-na enquanto regam o quintal num fim de tarde estival, outros, de manhã, a beber um sumo de laranja acabado de espremer, frente a uma janela solarenta. Há aqueles que a encontram a escalar montanhas apenas porque elas estão lá, mas eu revejo-a, essa vida e esta beleza efémera e palpitante, nas ondas que são surfadas, nos jogos de leitura que se têm de efectuar, na adequação de linha e movimentos às secções e paredes que se nos apresentam… O nosso gesto respondendo ao da onda, a onda respondendo ao nosso gesto… num diálogo circular, como um saco de plástico a esvoaçar!
Deixo-vos um pequeno trecho do filme "Glass Love", de Andrew Kidman, que teve a imensa habilidade de o compor recheado de momentos como os que aqui descrevi:
“(…) don’t try to be on time (…)” – parte II
Casa de Pescadores - Caparica, foto arquivo pessoalParei na praia da Riviera, tinha por ali surfado há não muito tempo e os fundos pareciam, já na altura, estar-se a compor… Só havia um carro no parque de estacionamento, pareceu-me ser um bom pronuncio…
levado pela curiosidade dei uns passos de corrida ansiosos até ao cimo da duna mais próxima… três dentro de água, não me tinha enganado… com o primeiro set evidenciou-se um pico de direitas que partiram rigorosas desde o outside ao inside… Surfei todo o seu comprimento com o olhar!Uma mansão na Aroeira ou a simplicidade sobre o mar? - Caparica, foto arquivo pessoal
Olhei em volta todo o mar que do alto da duna se me oferecia… O céu metálico de Inverno reflectia-se na água quebrando em pedaços de brilho prata…
… nos meus olhos pedaços de céu quebrados na água…
Gostava da praia no Inverno, de vê-la assim desabitada e a revelar todo o seu espaço… Serena…
Caparica, fotos arquivo pessoal
Inspirei…
…Fui pôr o fato!
Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
“(…) don’t try to be on time (…)” – parte I
Na passada sexta tive uma manhã bastante ocupada com trabalho, mas consegui, apesar de tudo, assegurar parte da tarde para ir surfar e desfrutar o off-shore na Caparica.
Estava com tempo suficiente para ir a rolar serenamente de carro e ainda iria checar a melhor praia para entrar… A tarde envolvia-se da luz branca típica duma tarde de Inverno, estava frio mas não o suficiente para me demover da ideia de surfar… Liguei o rádio e o locutor anunciou uma música do novo álbum dos franceses “Air”, não percebi o nome, mas a linha melódica que ouvia saltar no piano era o espelho do meu estado de espírito. Também não percebi a maior parte da letra, mas uma frase ressaltou entre várias:
“(…) don’t try to be on time (…)”
Este raciocínio levou-me a virar à direita naquele cruzamento que me levaria pelo caminho mais longo, mais sinuoso, para longe da via rápida e para perto do que é mais importante, os pinheiros que se debruçavam sobre a estrada e o leve balanço da erva nos campos que a ladeavam… Pareceu-me um caminho muito mais digno para as ondas que queria apanhar. Afinal, quantas vezes nos damos ao luxo de colocarmos as nossas exigências a este nível?
Sábado, Janeiro 06, 2007
De Sentidos Despertos
Pintura de Robert Heeley - El Capitan Picnic TableO ano inicia-se e com ele a vontade de o começar bem... A vontade de não adiar os projectos que há muito deambulam na nossa cabeça como desejos a concretizar e ter a coragem e atitude de dar os primeiros passos nesse sentido...
Pintura de Reggie Holladay - CaribeA ideia inicial deste blog sempre foi também o de trazer registado o que ando a fazer e que considero de válido. Por outro lado pretendia igualmente que esta exposição me servisse de estímulo para não deixar projectos a meio e dar-lhes a devida continuidade...
Pintura de Mike Doyle - Lined UpPor diversas razões não tenho tido a disponibilidade desejada para aqui escrever, nem temporal, nem mental... Acima de tudo esta última... Penso que não há uma razão especial que a justifique, simplesmente não me apeteceu escrever por uns tempos... Todo o blog se tem construído com intervenções espontâneas e não queria, apenas para ser assíduo, forçar aqui a entrada de um qualquer texto feito "por que tem de ser"...
Pintura de Kevin Short - Last Session At TrestlesSendo assim, acho que temos de respeitar estes tempos em que o espírito nos adormece e saber ser pacientes... o mar não nos está sempre a oferecer ondas, existe o tempo entre sets que é parte intrínseca da surfada e que há que saber aproveitar em pleno... para respirar fundo, para relaxar, recuperar forças para as próximas investidas e até para reflectir o melhor local para nos posicionarmos no line-up...
Pintura de John Comer - Palos Verdes CoveDesde há uns dias para cá que ao pensar em determinadas questões me passa igualmente pela cabeça que deveria apresentá-las aqui... Era pois altura de voltar a escrever...
Vislumbro na linha de horizonte um novo set e os meus sentidos começam a despertar...
Segunda-feira, Dezembro 18, 2006
Sou eu, sou eu...









Quase que dava um beijo ao LP, pelas fotos que me tirou... (quase, ;) )... A verdade é que foi graças a ele, que finalmente, fiquei com um registo decente de mim a surfar!
Raramente me tiraram fotos estando eu dentro de água e até à data, eram fotos comigo a cair, ou depois da onda ter fechado, ou antes de dropar, ou num contraluz imenso que não se percebia nada... Bem, desta vez apareço eu numa sequência tirada em Peniche, numa sessão onde apanhei mais porrada que ondas e num set mais pequeno...
Sexta-feira, Novembro 10, 2006
Alma Salgada na SurfPortugal
Este mês foi publicada na Surf Portugal uma carta que para lá enviei. Por um lado fiquei contente da terem publicado, por outro ela é extremamente pessoal e só a enviei num impulso que foi igual ao que ma fez escrever... Deixo-a aqui para quem tiver interesse em a ler:
"Há coisas na nossa vida, que não podemos escolher, entre elas está o facto de ter nascido no interior, longe do mar, no Alentejo (profundo). A praia para mim era uma experiência de Verão, nas férias, muitas vezes passadas na Costa Alentejana, em Almograve ou na Zambujeira. Lembro-me de ser miúdo e pensar que era num daqueles sítios que iria morar mais tarde. Foi também numa dessas férias que vi pela primeira vez alguém surfar e de ter ficado completamente extasiado com a possibilidade de o vir a fazer. Essa realidade teve no entanto de esperar, pois continuei a viver no interior até entrar na faculdade. Isso aconteceu em 93 quando tive a sorte de ingressar na Faculdade de Ciências e Tecnologia no Monte da Caparica, a meio passo das praias da Costa. Juntei a esforço algum dinheiro e a meias com um colega comprei a primeira prancha, uma Atlântico 6'8'', que já tinha sido partida ao meio nas mãos do anterior dono. Por acaso esse meu colega nunca a chegou a usar, mas eu pelo contrário entrava praticamente todos os dias e em pouco tempo lá me comecei a levantar nas espumas, completamente "stoked" com a coisa.
Entretanto o curso não correu às mil maravilhas, talvez, em parte, por escolher surfar nas manhãs de off-shore em vez de assistir às aulas (coisa da qual não me arrependo nada). Assim fiquei mais uns anitos na faculdade, para além dos que devia. No entanto, como eram os meus pais que estavam a custear essa minha falta de responsabilidade, resolvi começar a trabalhar mais cedo, mesmo estando em falta algumas cadeiras. Entrei para uma empresa em Lisboa, onde entrava às 8h30m e saía às 18h ou 19h. Durante o Inverno era quase impossível surfar, pois no fim-de-semana tinha de estudar para acabar o curso. As surfadas, muitas vezes, eram feitas à hora de almoço, quando conseguia fugir ao meio-dia do escritório. Ia a abrir para a Costa, surfava 1 horita, comia uma sandocha e voltava a correr para o meio do pessoal engravatado, eu com o cabelo ainda meio molhado e as sobrancelhas cheias de sal.
Foi nessa altura que, apesar de em parte gostar do que fazia, percebi o que não queria que a minha vida fosse. Talvez inspirado pelos textos do Cadilhe, talvez por ter sempre vivido um pouco à margem do convencional, resolvi que não iria trabalhar enclausurado num escritório, da casa para o trabalho, do trabalho para a casa, sem tempo para nada. A minha vida estava com um conteúdo limitado, desinteressante, sem qualquer luz...
Entretanto a minha namorada tinha acabado o seu curso ao melhor estilo de menina bem comportada, nos 5 anos e com muito boa média e teve oportunidade de vir a trabalhar na nossa cidade natal, no Alentejo profundo. Sendo assim, só nos víamos em contra relógio aos fins-de-semana. Ainda tentou arranjar emprego mais perto de mim, mas na área em que trabalha, não há muita oferta de emprego e o dela ao menos era estável… Desistiu da ideia...
Foi então que resolvi fazer algo, que na verdade, não me foi nada fácil, deixar aquele emprego, a possibilidade de carreira e aceitar uma proposta de trabalho longe do mar mas perto dela. Coisa de apaixonado. Voltei para outras ondas, as das planícies alentejanas semeadas de sobreiros e azinheiras. Mas mantive-me a surfar aos fins-de-semana em incursões à costa… Casei, comprei por lá casa e tive há um ano um rebento. Mas não foi como nos contos de fadas, não fiquei feliz para sempre, pois vi-me amputado de uma vida ao pé do mar… É verdade que tenho uma vida com uma qualidade que sei acima da média. O puto T (Tiago, o meu filho), não é despejado para uma qualquer creche, na altura em que trabalhamos, vai antes para a casa de uma familiar já reformada e com muito amor para lhe dar. Os avós estão presentes na vida dele, tal comos as tias e sei, que este é um local onde ele pode crescer de forma saudável… A minha casa, comprada pelo preço de uma casa modesta em Lisboa, é do dobro do tamanho do que seria por lá e com o dobro das condições, em vez de estar no meio do betão estou a minutos do campo e tenho muito mais tempo livre, pois não perco uma hora ou duas no trânsito.
Falta talvez dizer que, entretanto e como a vida tem daquelas coisas que a gente não entende, após 6 meses de vir trabalhar para o Alentejo, depois de renunciar ao óbvio, não me renovaram o contrato e fiquei desempregado. Ao contrário do que possam pensar, esse foi um momento de sorte, um ponto de inflexão na minha vida, pois foi esse facto que me motivou a trabalhar por conta própria, com um colega de Lisboa, o que me permite passar algumas temporadas por lá e alguma flexibilidade para poder surfar de vez em vez.
Escrevi em parte, para vos dizer que, em muito contribuem para que eu continue a procurar o mar e não desista de sonhar em voltar para ele.
Somos nós que desenhamos a nossa vida, mas nem sempre a podemos pintar com as cores que queremos… cada passo que damos numa direcção nos afasta de outra. E por vezes as escolhas que fazemos, com objectivos aparentemente acertados, também nos condicionam e nos encerram em becos sem saída.
Pedro Ferro
Estremoz"
Resposta do Ed
“E aqui está uma mensagem que nos dá o raro prazer de dizer bem alto: dever cumprido! Só por isso, agradeço-te, Pedro e lembra-te sempre das sábias palavras de Rabbit Bartholomew: "Se o surf corre bem, a tua vida corre bem" “
Terça-feira, Outubro 10, 2006
Surfistas como nós I – Jun Matsui, Life Under Zen
Jun Matsui por Mr. Samizu
Jun Matsui é um artista plástico que muito admiro, descobri o seu trabalho pela net quando procurava imagens de tatuagens e desde então fui sempre acompanhando o seu blog onde ele apresenta algum do seu trabalho e da sua vida.Apesar de não ter nenhuma tatuagem, aprecio imenso esse género de expressão, principalmente quando os trabalhos em causa assumem o estatuto de arte e este é sem dúvida o caso dos de Jun...


Hoje em dia ele só utiliza tinta preta nas tatuagens, por considerar que resulta mais orgânico, clássico e por ser a cor aplicada nas origens da tatuagem. O estilo dos seus desenhos é quase sempre tribal, mas bastante sofisticado e os temas mais recorrentes referem-se a grafismos indígenas,
Samoa, Tahiti, Bornéu, Amazónia ou Japão…Para além das tatuagens, Jun desenha roupa e já lançou várias colecções. Tem uma loja no centro de Tóquio, a “Life Under Zen” (LUZ), cujo interior foi igualmente criado e decorado por si…



Mas a sua arte é multifacetada e não se queda por aqui. Recentemente trabalhou com o shaper Abe Hiroshi e desenhou algumas pranchas para ele...
Digam lá se não gostariam de ter uma prancha assim, Jun Matsui em plena actividade artísticaNo ano passado foi convidado pelo Tetsuya Nomura , o designer do Final Fantasy, para criar uma tatuagem para uma das personagens virtuais do filme “Advent Children”.

Jun está sempre em constantes viagens e é comum ver no seu blog fotografias dele no Vietnam, Tahiti, Brasil, França, Hawai, apesar dessa agitação é fácil perceber que ele mantém a sua Life Under Zen…
Outra das vertentes do seu trabalho, o body painting!
Sábado, Setembro 23, 2006
Restart

O surf funciona para mim como contrapeso na minha balança da sanidade mental… Eu explico, mas começo por esclarecer que já lá vão quase três longas semanas sem surf…

A vida consome-nos diariamente a atenção para ninharias, para problemas, para arrelias, para esforços inconsequentes… Por muito boa atitude que queiramos ter, existem questões que se apoderam de nós e nos envolvem em tensões, em stress, que nos enchem a cabeça e que não nos deixam tomar uma postura relaxada perante o dia a dia…
O surf desenvolve-nos uma maior aptidão de equilíbrio, foto de David Pu'u
Acredito que é essencial termos a chave que nos liberte de toda essa carga emocional negativa… A minha é sem sombra de dúvidas o surf… Quer dizer, haverá outras, como a música, o estar com os amigos, o beber copos, o ter sexo, etc, etc… Mas, pessoalmente, a que é mais funcional, a que assume a excelência em termos de eficiência, é sem dúvida o entrar no mar e surfar!
Para mim funciona como “restart”, é como se água dissolvesse o que não me é essencial e me deixasse novamente solto e eu próprio.

Surf ao pôr-do-sol, haverá melhor terapia? Foto de David Pu'u
Sinceramente não percebo a razão por detrás de tão grande força libertadora… Facilmente poderia embarcar em considerações de índole psicanalítica e comparar a entrada na água do mar com o retorno ao líquido amniótico que nos protege ainda enquanto fetos e que com isso procuramos essa sensação inicial de conforto e segurança… Mas, sinceramente, tudo isso me parece muito rebuscado… O mar liberta porque liberta, ora essa… Porque soltamos uma energia imensa no drop… Porque a atenção dispensada na tentativa de consonância com o mar nos faz
esquecer que o mundo existe p além da onda e de nós próprios… Porque balançar ao sabor das ondas nos embala e nos conforta… Porque sentados na prancha à espera do próximo set olhamos concentrados a linha do horizonte… Porque o pôr-do-sol visto dentro do mar se assemelha a um espectáculo apreciado num camarote de luxo na primeira fila…
Ir surfar não se resume apenas a ir para dentro do mar. Ir surfar é também disfrutar de toda a envolvência natural existente nas praias. Algas sobre os calhaus da maré baixa, foto de José Romão, livro "Cabo da Roca" (qualquer dia terei de falar inevitavelmente deste livro).
Num mundo pleno de actividades e distracções virtuais, num tempo onde tudo se quer imediato e de fácil consumo, surfar ainda pode ser algo de orgânico… coisa simples… que nos reafirma o que é verdadeiramente importante e nos reorganiza mentalmente… A mim afere-me o equilíbrio da minha balança da sanidade mental e deixa-me novo e pronto para a vida…
Domingo, Setembro 17, 2006
Water Light Time

Parece um contra-senso, mas na verdade não é. A questão é que sempre que entro numa, o risco de ruína financeira pode tornar-se real. São inúmeros os títulos que gostaria de ter e descubro sempre outros, dos quais desconhecia a sua existência, mas que resolvo serem essenciais. Para agravar esta minha falta de auto controlo, os livros ostentam, hoje em dia, preços verdadeiramente obscenos.

Tirando estes “pequenos” pormenores, adoro o ambiente de uma livraria, principalmente das mais antigas e intimistas, cujas fileiras de estantes cheias de livros as fazem assemelhar mais a um santuário ou lugar sagrado. De certa maneira, essa forma de ver as coisas, leva-me a abrir os livros quase solenemente, a avaliá-los de forma cuidada, a deleitar-me com o folhear das folhas de papel ainda imaculadas...
Se bem que já desvirtuado dessa aura quase mística das livrarias antigas, também me agrada o conceito contemporâneo que a Fnac apresenta, com a sua vasta escolha de livros toda muito à disposição e os seus inúmeros assentos espalhados pela loja a convidarem a uma apreciação serena… aparenta-me, sinceramente, um ambiente muito democrático.

Como surfista sinto-me especialmente atraído por livros que se debrucem pela nossa cultura, pela nossa história, livros que falem de surf, das ondas e dos locais de excelência que as acolhem, dos heróis e personalidades que se destacaram pela sua prática, mas também livros de fotografias com o mar como principal protagonista. Se pudesse tinha todos os que encontrasse...

Pois o propósito deste post prende-se, precisamente, com o de partilhar e apresentar uma das minhas últimas aquisições, um livro que andei a namorar durante algum tempo nas livrarias e que finalmente assenti ao devaneio de comprar. Chama-se “Water Light Time” e debruça-se sobre a extraordinária obra fotográfica de David Doubilet, um mergulhador, jornalista e image-maker, que é aclamado pelo mundo fora como o melhor fotógrafo subaquático.

O livro possui poucos textos, mas um número incontável de fotografias notáveis. É incrível como uma única pessoa consegue vivenciar e ao mesmo tempo congelar tantos momentos únicos e espectaculares… Deixo aqui uma pequena amostra.
Quarta-feira, Setembro 13, 2006
Competição
Há quem sinta que a competição não encaixe na sua definição de surf, que tenha uma visão purista do acto e o veja apenas como gesto de expressão pessoal, sem espaço para apreciações alheias. Percebo e até acho bonito, mas não partilho essa imagem. Kelly Slater e os seus 7 títulos de campeão do mundo, é a face do surf de competição, foto de Sam Jones
Eu gosto de surf de competição. Acima de tudo porque também gosto de ver surf para além de o praticar, principalmente se ele se apresentar de excepção como é habitual nos campeonatos do mundo…
Joel Parkinson é, a meu ver, um dos surfistas do tour mais excitantes de ver
Mas de outra forma, é o lado competitivo do surf, enquanto desporto, que eleva os patamares de performance, é ele o principal responsável pela evolução do surf, pela criação de novos artigos, melhores pranchas e shapes optimizados… É graças a ele que se investigam hoje de forma profunda novos materiais, se criam fatos mais quentes, elásticos e confortáveis, se estuda a influência dos fins, da sua forma, tamanho e flexibilidade na surfada… ou seja, existe esse aspecto da competição que coloca todos a ganhar, até aqueles que não gostam dela…
Dane Reynolds a redefenir o conceito de aéreo, em 2005 Boost Mobile Pro, foto http://www.aspworldtour.com
Existe ainda um aspecto que acho muito interessante, que é o facto de achar que as regras das provas acrescentam uma nova dimensão ao desporto, não interessa apenas surfar melhor, é necessário assumir, igualmente, a melhor estratégia, ter o melhor timming, é saber fazer uso da prioridade, saber avaliar o risco de tentar uma manobra mais radical, saber arrancar mais pontos numa manobra ao executá-la nas zonas mais críticas da onda e é saber finalizá-las por completo.
San Clemente Pier, foto http://www.aspworldtour.com
Sexta-feira, Setembro 08, 2006
Brasil
Recebi recentemente, por parte de um brasileiro, uma simpática mensagem de feedback relativamente a este blog. De forma elogiosa disse-me que nós “d’além mar”, entendemos o surfde maneira bem peculiar...
Também me parece que a forma de entender o surf varia com a cultura que o aloja... Mas quais serão as principais diferenças entre a forma brasileira e a portuguesa?
Adriano de Sousa "Mineirinho", foto em http://oakley.com/
Talvez seja uma generalização abusiva pensares que a forma de entender o surf em Portugal é toda coincidente com a minha... Não é...
Gosto de tentar preservar a ideia que o surf é também companheirismo e partilha... Tento olhar mais para as boas atitudes e experiências positivas que do surf se obtêm, mesmo sabendo que, hoje em dia, ele também nos oferece inúmeros aspectos negativos, como o crowd, o localismo, a competição exacerbada dentro de água que muitas vezes se parece sobrepor ao próprio gozo de estar dentro do mar...
Agora, há uns dias, tive a oportunidade de ver o jogo de futebol, Brasil - País de Gales (na verdade só consegui mesmo ver a 1ª parte) e comentava com um amigo, exactamente como a cultura brasileira se reflectia tanto na forma como jogavam... Bonito de se ver...

Wiggoly Dantas, 16 anos, nova bombinha brasileira, foto de Daniel Smorigo
Obviamente o mesmo acontece com outras selecções, na alemã, por exemplo, que é de uma precisão mecânica, ou na espanhola, que joga sempre de forma aguerrida... Quanto aos portugueses não consigo, penso eu, ter uma opinião muito objectiva... Somos, de certa forma, sonhadores e aventureiros, damo-nos a uns quantos rasgos de criatividade e somos bons a desenrascarmo-nos em situações aparentemente complicadas. Mas, por outro lado, também sonhamos acima da realidade, tanto que muitas vezes ficamo-nos pelos sonhos e com realidades bem amargas... Estarei eu apenas a falar de futebol? Acho que não… Tudo isto se aplica, de certa forma, também ao surf...

Neco Padaratz, mesmo impedido de surfar na perna europeia do WQS já quase garantiu a sua presença no WCT do próximo ano, foto de Noemie Ventura
O surf no Brasil vejo-o verde e amarelo, como a vossa bandeira, ora revendo a energia do samba no shortboard, ora o doce balanço da bossa nova nas longarinas... Parece-me que aí as coisas também são piores no aspecto financeiro, se bem que nesse aspecto, se muito bem calha, qualquer dia estamos equiparados. Tenho a idéia que a molecagem brasileira tem de batalhar muito mais para conseguir uma tábua, um patrocínio ou qualquer apoio monetário, mas também constato que até isso utilizaram a vosso favor, formando surfistas cheios de garra, verdadeiros lutadores e muitos campeões...
Já agora, eu mencionei como ponto a vosso favor as meninas da Reef Brasil? 





